EDUCAÇÃO PARA PESSOAS
SURDAS
Fazendo
uma rápida retrospectiva das abordagens para tratar da educação das pessoas
surdas, aproximadamente há dois séculos, se vem buscando atender de forma efetiva. Porém as soluções apontadas
não apresentaram sucesso, onde se constatou da ineficácia destes atendimentos.
Historicamente
as concepções desenvolvidas sobre a
educação de pessoas com surdez se fundamentaram em três abordagens diferentes:
a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilinguismo. As propostas
educacionais centraram –se ora na inserção desses alunos na classe comum, ora
na classe especial ou na escola especial. p7
Primeiramente
as escolas que se fundamentavam no oralismo entendiam que a linguagem deveria
ser na modalidade oral, ou seja, a única possibilidade de comunicação deveria
ser a utilização da linguagem oral e leitura labial. Esta linguagem deveria ser
utilizada no seu meio social e também na escola. Porém mostrou-se ineficaz,
pois não respeitava as diferenças que havia entre seus pares.
A
comunicação total acatava as características próprias da pessoa surda, inclusive
procurava atender as diferentes áreas de conhecimento e preocupava-se em
desenvolver habilidades cognitivas, além de favorecer as interações sociais.
Contudo, também se mostrou inoperante, pois ao constatar sobre as reais
desenvoltura da pessoa surda percebia que seu desenvolvimento deixava várias
lacunas.
Tanto
uma linguagem quanto a outra negavam a linguagem natural da pessoa surda ou
ainda não valorizada. Favoreceu a
formação de guetos, pessoas excluídas.
Com
relação a abordagem por meio do bilinguismo
tem por objetivo capacitar a pessoa surda a utilização de duas
línguas em seu dia-a-dia, ou seja a
língua de sinais e língua portuguesa.
Esta
abordagem mostrou-se mais eficaz, atendendo melhor as necessidades da pessoa
surda, como mostra as pesquisas. Esta forma de operacionalizar a comunicação
respeita as necessidades da pessoa surda levando em consideração a língua natural, além de potencializar suas
relações.
Na
perspectiva inclusiva da educação de pessoas com surdez, o bilinguismo que se
propõe é aquele que destaca a liberdade de o aluno se expressar em uma ou em
outra língua e de participar de um ambiente escolar que desafie seu pensamento
e exercite sua capacidade perceptivo-cognitiva, suas habilidades para atuar e
interagir em um mundo social que é de todos, considerando o contraditório, o
ambíguo, as diferenças entre as pessoas. p9
Na
escola comum o AEE favorecerá com que a pessoa surda sinta-se
mais acolhida e que possa avançar em suas habilidades e recursos.
O
Atendimento Educacional Especializado deve contemplar as necessidades
didático-pedagógicas além de possibilitar caminhos que enriqueça as relações
sociais. Deve-se conhecer as reais
necessidades e também as habilidades e potencialidades do aluno, para poder
Para tanto o atendimento é previsto em três
momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional em Libras, Atendimento
Educacional de Libras e Atendimento Educacional de Língua Portuguesa
O
AEE em Libras prevê a construção de
diversos conceitos das diversas áreas de conhecimento em Libras, utilizando de diversos recursos visuais, diálogo,
maquetes...
O
AEE de Libras são línguas naturais e complexas. Tem uma estrutura linguística
própria com regras através de gesto-visual. Tem por objetivo de contribuir na
compreensão dos conceitos trabalhados.
O
AEE de Língua Portuguesa
...em
um primeiro nível de ensino deve iniciar-se com os processos de letramento ,
que perpassam a educação infantil e o ciclo de alfabetização no decorrer do
ensino fundamental. Num segundo nível intermediário, os textos devem apresentar
estruturas, organização e funcionamento da razoável complexidade, em condições
de promover a leitura, interpretação e escrita, segundo categorias mais
elaboradas da língua portuguesa. No terceiro nível, os conhecimentos do português
escrito devem recair sobre o uso oficial na leitura e na produção de textos
mais complexos. p 19
Bibliografia:
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão
Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento
Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.